5 estratégias da neurociência para o professor em sala de aula

Pesquisas recentes sobre neurociência apontam algumas estratégias pedagógicas que o professor pode utilizar e que atuam sobre o cérebro e suas funções mentais levando à aprendizagem mais eficiente.

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Os estudos e as descobertas da neurociência vem esclarecendo muitos ‘mistérios’ de como o cérebro funciona, no entanto para educação  as descobertas da neurociência esclarecem como o cérebro funciona durante a aprendizagem e podem indicar fatores que influenciam o funcionamento da construção do conhecimento e da aprendizagem

Todo professor gostaria de compreender a mágica do ensinar e aprender, mas sabemos que essa mágica não existe, muito menos receitas infalíveis para aprender. O que estudos da neurociência mostram é  que a aprendizagem resulta da reorganização da estrutura cerebral, produzindo novas construções do conhecimento. Assim, o professor pode contar com conhecimentos da psicologia cognitiva e da neurociência  para direcionar suas práticas pedagógicas voltadas para uma aprendizagem mais eficiente. Vejamos abaixo 5 estratégias da neurociência que o professor pode utilizar em sala de aula.

É importante lembrar que o aluno só aprende algo novo, se o cérebro dele tiver oportunidade e for motivado a processar o que lhe é apresentado, pois aprendizagem resulta da reorganização de redes neurais espalhadas pelo cérebro, sendo que essas redes precisam ser ativadas para que as sinapses sejam feitas e desfeitas, levando à modificação da relação entre os neurônios o que chamamos de neuroplasticidade, e assim a novos conhecimentos, ideias, atitudes, habilidades, etc.

1- Utilizar Recursos Multissensoriais

A primeira estratégia   a ser destacada é o uso de recursos multissensoriais para ativação de múltiplas redes neurais que estabelecem associações entre si proporcionando um pensamento mais complexos sobre o que se aprende e também favorecendo a memorização do que foi aprendido. 

Por exemplo, conhecer uma maçã vendo sua cor e forma, sentindo sua textura, temperatura e peso, apreciando o seu cheiro, degustando sua acidez e doçura e ouvindo o barulho ao mordê-la é bem diferente de conhecê-la por meio de uma imagem em um livro. Quando o professor faz o aluno utilizar os vários sentidos em uma experiência, ele proporcionará ao estudante construir uma ideia mais completa e potencialmente mais duradoura daquela experiência. Assim, a rede neural que estabeleceu a partir da ativação de neurônios relacionado às várias sensações sensoriais dá um significado mais completo, detalhado e rico sobre a maçã que poderá ser mais facilmente reativado por qualquer estímulo, seja ele o cheiro, a invocação de sua forma ou de seu gosto. Reativação mais frequência dessa rede neural levará a melhor consolidação da memória da fruta.

2- REativar os circuitos neurais, REcontando, REvendo, REpassando e RElembrando

A segunda estratégia é a reativação dos circuitos neurais, isso quer dizer que as experiências e informações aprendidas precisam ser lembradas para manter as conexões cerebrais relacionadas a elas. Por isso o professor deve sempre oferecer situações em que os alunos possam ver e rever, escutar, falar e voltar a falar, escrever e reescrever, contar e recontar, experimentar e vivenciar dando significado ao que se faz, pois essa é uma estratégia importante para o aprendizado ser consolidado.

Ou seja, quando as informações, experiências e aprendizados são relembrados em várias situações, por diversas vezes de diferentes maneiras promoverá a atividade mais frequente dos neurônios relacionados a ele e produzirá sinapses mais consolidadas. Esse conjunto de neurônios associados numa rede é o substrato biológico da memória daquela aprendizagem em formação ou experiência aprendidas. Os registros transitórios que é a memória operacional serão transformados em registros mais definitivos que faz parte da memória de longa duração à medida que eles forem processados novamente pelo cérebro.

Isso quer dizer que quando um professor finaliza sua sua aula, ele sempre deveria perguntar o que você entendeu sobre o que foi apresentado ou explicado, ou poderia solicitar aos alunos que explicasse para um colega o que entendeu da aula ou ainda incentivar todos os aprendizes a elaborar um texto relembrando as principais informações apresentadas ou ainda motivar por meio de perguntas a discussão de tópicos da aula entre os colegas. Essa estratégia daria aos alunos a oportunidade de usarem a memória operacional que ainda estiver processando a aula, para fazer associações e comparações com outros conhecimentos e experiências já armazenados na memória e relacionados ao que foi apresentado. dessa maneira o aluno poderá perceber lacunas no seu entendimento sobre o tema abordado.

3- Usar as emoções

A terceira estratégia que o professor deve utilizar para conduzir os alunos a uma aprendizagem mais eficiente é a utilização de emoções, pois influenciam funções importantes como a atenção, percepção e memória. Aprendemos aquilo que nos emociona, pois as emoções indicam para o cérebro o que é importante à sobrevivência do indivíduo e o que vale o esforço e gasto energético necessários à aprendizagem.

No cérebro as áreas que regulam as emoções relacionadas ao medo, ansiedade, raiva, prazer e  motivação influenciam áreas importantes para formação de memórias. O professor deve se utilizar de situações que favorecem a aprendizagem como aquelas que são prazerosas e motivadoras que produzam curiosidade  e expectativa .Ativação de circuitos neurais de prazer e recompensa no aluno o fará perder o medo de errar, por exemplo.

4- Atividades em grupos

A quarta estratégia que o professor pode utilizar são as atividades baseadas em discussões em grupo e desenvolvimento de projetos, pois assim pode favorecer que o aluno seja um participante ativo, sujeito responsável por sua aprendizagem, o que também contribui para o desenvolvimento de suas funções executivas.

Funções executivas, relacionadas à área pré-frontal, são funções cognitivas envolvidas no estabelecimento de objetivos, planejamento e organização das sequências de atividades voltadas para uma meta, gerenciamento do tempo, atenção direcionada ao objetivo, persistência em uma tarefa, memória de trabalho, flexibilidade para mudar estratégias, tomada de decisão e, também, na regulação emocional e nas habilidades sociais.

Nesse sentido, é importante destacar que atividades desenvolvidas em grupos são essenciais para o desenvolvimento da capacidade de uma pessoa resolver problemas e avaliar o próprio comportamento, regulando-o para melhor adaptação a determinado contexto. Tornar o aluno participante ativo, sujeito responsável por sua aprendizagem também contribui para o desenvolvimento de suas funções executivas.

5- Alternância de atividades

A quinta e última estratégia é o professor se utilizar de alternância de atividades durante sua aula, principalmente aulas longas, sem intervalos e com conteúdos muito densos que são propícios às distrações. O professor pode se utilizar de pausas para contar um caso curioso, mudar a entonação de voz, posição do professor na sala de aula, produção de textos e vídeos para estimular o cérebro a se manter atento e sem distrações.

Sabermos que no contexto da sala de aula, cujo ambiente é rico, variado, dinâmico e influenciado por tantos fatores, muitas situações inesperadas podem ocorrer, mas pesquisas recentes tem se voltado para investigações sobre o funcionamento do cérebro e como a aprendizagem ocorre na perspectiva da neurociência .

Não tivemos a pretensão de apresentar ‘receitas infalíveis’ para aprender, mas algumas estratégias pedagógicas fundamentadas pelos conhecimentos neurocientíficos da aprendizagem que podem ajudar os professores a tornar esse processo mais eficiente.

Por Deborah Costa

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